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O Maior Enxadrista do Mundo - Para Tirar Qualquer Dúvida

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ZigBomb14

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Pawn

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Post Fri Feb 18, 2011 7:01 pm

O Maior Enxadrista do Mundo - Para Tirar Qualquer Dúvida

Minha opnião, sempre foi que o melhor de todos os tempos sempre foi Kasparov.
E pelo visto não sou só eu quem acha isso.
Luis Paulo José, fez uma enorme pesquisa ( dá-lhe grande pesquisador), onde há um panorama histórico entre Bobby Fisher e Garry Kasparov.
Leiam aí gente! Muito bom o Artigo. Mas , com certeza, vai gerar opniões divergentes.
Image << Esse é o Paulo =d
Ao longo da história do enxadrismo mundial, numerosos jogadores surgiram e brilharam em diferentes épocas, enriquecendo a prática do xadrez magistral com suas magníficas partidas, vencendo torneios e influenciando gerações de enxadristas ao redor do globo.

Dentre estes jogadores, apenas alguns poucos conseguiram compor o seleto grupo dos que alcançaram o título máximo do xadrez - o título de campeão mundial - os quais são lembrados e reverenciados por todos os amantes da arte de Caíssa como verdadeiros “reis” desse nobre esporte.

Qual é o amador que nunca ouviu falar de José Raul Capablanca, o genial cubano que, por sua enorme habilidade, foi apelidado de “a máquina de jogar xadrez”, ou de Alexander Alekhine, seu maior rival, não menos habilidoso, que logrou arrebatar-lhe a coroa?

Tendo-se em conta a existência de vários campeões mundiais, representantes máximos do jogo-arte-ciência, naturalmente sempre houve por parte dos entusiastas do xadrez o desejo de ver respondida a seguinte pergunta: quem foi o melhor enxadrista de todos os tempos?

É claro que, como jogador e leitor assíduo de xadrez, essa questão também me interessa. Por isso, recentemente decidi pesquisar em livros e sites especializados em assuntos enxadrísticos, a fim de obter a resposta para a pergunta acima formulada, de acordo com o ponto de vista dos praticantes e estudiosos do jogo.

Em minha pesquisa, constatei que as opiniões estavam divididas entre dois nomes ilustres: Robert (“Bobby”) Fischer e Garry Kasparov. Afinal de contas, qual deles terá sido o maior expoente dessa arte até os dias atuais?

Pelo menos para mim não há nenhuma dúvida. Após anos de leituras da literatura enxadrística disponível em língua portuguesa, estou absolutamente convencido de que o maior enxadrista da história chama-se Garry Kimovich Kasparov.

Tão certo estou a respeito disto que o resultado de minha pesquisa, sou forçado a confessar, me surpreendeu. A mim, me admira que tantas pessoas ditas “entendidas” de xadrez insistam em atribuir ao excêntrico grande mestre estadounidense a honra de ocupar tal posto.

Quem pensa assim certamente desconhece as façanhas acumuladas por Kasparov durante sua carreira, de modo que, com o objetivo de a ele fazer justiça, estou diposto a tentar convencer o leitor da sua superioridade sobre Fischer, realizando uma comparação entre algumas das conquistas esportivas de ambos os jogadores.

Comecemos comparando os países onde nasceram esses dois gigantes do xadrez. Bobby Fischer, nascido em 1943, era norte-americano de Chicago, enquanto que Kasparov, 20 anos mais jovem, nasceu em Baku, capital do Azerbaijão, um país (hoje independente) que integrava a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Em termos de tradição no xadrez, a União Soviética era muito superior aos Estados Unidos. Basta recordar que, no decorrer de sua história, os Estados Unidos tiveram (sem contar os naturalizados), talvez, cerca de meia dúzia de jogadores brilhantes, que se distinguiram no cenário internacional, ao passo que a União Soviética produziu dezenas deles, sendo durante muito tempo, mesmo depois de sua desintegração, o berço dos mais fortes enxadristas do mundo.

Para se ter uma ideia do que estou dizendo, examinemos o raking da Federação Internacional de Xadrez (FIDE), divulgado em janeiro desse ano. Na relação dos 20 melhores jogadores do mundo, publicada por aquela entidade, 11 deles, isto é, mais da metade, são oriundos de países pertencentes à antiga União Soviética, enquanto que apenas dois, o 10º e o 19º colocados, Hikaru Nakamura e Gata Kamsky, respectivamente, apesar de defenderem as cores dos Estados Unidos, na verdade são naturalizados (o primeiro nasceu no Japão e o segundo na Rússia).

Ora, o que eu quero mostrar com isso é que, para um jogador de xadrez, seria muito mais difícil se destacar entre os melhores na União Soviética, como o fez Kasparov, do que nos Estados Unidos, como ocorreu com Fischer, por causa da maior quantidade de bons jogadores, o que elevava bastante o nível competitivo nos países soviéticos. Apesar deste aparente obstáculo, a trajetória de Kasparov rumo ao topo foi meteórica: aos nove anos já era jogador de primeira categoria (isso na União Soviética, com seus milhões de praticantes!), e aos dez torna-se candidato a mestre, título que conquistaria aos 14 anos.

Com essa mesma idade, Bobby Fischer, ainda na adolescência, ganhou o campeonato nacional de seu país pela primeira vez, o que a muitos causou espanto e admiração. Kasparov, porém, disputando um campeonato muito mais acirrado, como já foi dito, foi campeão soviético aos 18 anos, recém saído da adolescência. Além disso, dois anos antes, em 1979, ele também provocou espanto em seus compatriotas ao vencer o fortíssimo torneio de Banja Luka, superando boa parte da elite do xadrez mundial de então.

Em relação à formação intelectual e outros interesses além do tabuleiro quadriculado, Kasparov igualmente mostra-se superior a Fischer. Este, como se sabe, tinha fama de estudante preguiçoso e abandonou os estudos aos 16 anos para dedicar-se inteiramente ao xadrez. Os que com ele conviveram mais de perto são unânimes em afirmar que ele não levava uma vida normal para um jovem da sua idade, pois não tinha nenhum outro interesse a não ser o xadrez, chegando a tornar-se obcecado pelo jogo. Já Kasparov, segundo consta, cursou faculdade e graduou-se em Letras, o que mostra que concedeu mais importância à sua formação cultural e intelectual do que o seu colega de profissão.

Outro dado que comprova a supremacia de Kasparov: Fischer, mesmo tendo largado os estudos aos 16 anos para se entregar de corpo e alma a sua paixão e preparar-se para se transformar em campeão mundial (seu grande objetivo na vida), não teve um caminho fácil até o título. Somente 13 longos anos depois, em 1972, aos 29 anos, Fischer viu o seu sonho concretizado; por outro lado, tudo foi mais fácil para Kasparov, que bateu o recorde de mais jovem jogador a conquistar o campeonato mundial, em 1985, aos 22 anos! Aliás, talvez ele pudesse ter sido proclamado campeão do mundo um ano antes, se o primeiro match jogado contra Anatoly Karpov não tivesse sido cancelado pela FIDE.

Além de sagrar-se campeão do mundo mais cedo do que Fischer, Kasparov colocou destemidamente o seu título em jogo por três vezes contra Karpov (1986, 1987 e 1990), o único adversário que poderia derrotá-lo, conservando-o nas três oportunidades. Já Fischer, depois de ter conquistado o título máximo do xadrez mundial, estando ainda em plena forma, inexplicavelmente deixou de tomar parte nos torneios e jogos oficiais, limitando-se a algumas aparições em programas de TV e em competições na qualidade de convidado.

Quando chegou o momento de pôr seu título em jogo contra o desafiante Karpov, Fischer, agindo covardemente, fez uma série de exigências absurdas a FIDE, as quais ele sabia que não seriam atendidas, para assim não ter que jogar, entregando de bandeija o título ao russo. Alguns daqueles que acompanharam as negociações do match entre Fischer e Karpov alegam que, mesmo se a FIDE tivesse concordado com as regras impostas pelo campeão, ainda assim o norte-americano não jogaria, e se esquivaria com outra desculpa qualquer.

E por que ele evitou o confronto com Karpov? A resposta, a meu ver, é simples: ele temia perder e se acovardou! Fischer sabia que, se entregasse o título para Karpov sem luta, conforme aconteceu, sua fama não ficaria tão abalada, pois muitos pensariam que sua abdicação adviria do fato de não ter tido os seus caprichos atendidos pela FIDE. As pessoas estavam acostumadas com aquele tipo de atitude, afinal Fischer já havia abandonado ou se negado a competir em alguns torneios por discordar das regras e das condições de jogo. Ao contrário, se ele jogasse e perdesse, e podem apostar que seria esse o resultado, devido sobretudo ao seu longo período de inatividade, seu prestígio despencaria e sua reputação de “lenda” do xadrez seria irremediavelmente manchada!

Ao invés disso, o “Ogro de Baku”, após tornar-se o campeão mundial mais jovem da história, seguiu jogando ativamente por duas décadas, durante as quais ocupou de forma indiscutível o primeiro lugar no ranking internacional, esmagando seus oponentes e ganhando um torneio atrás do outro, convertendo-se assim no mais vitorioso enxadrista que já existiu, até aposentar-se para se dedicar à política. É provável que, se assim o desejasse, ele pudesse ter sustentado sua hegemonia por, no mínimo, mais uma década.

Não pretendo aqui tirar o mérito das proezas de Bobby Fischer. Ele era de fato um jogador muito forte, e sua maior façanha, sem dúvida extraordinária, foi ter quebrado a hegemonia da escola soviética de xadrez, algo considerado impossível, já que seus representantes eram vistos como praticamente imbatíveis. É preciso lembrar, entretanto, que Fischer não foi o único a conseguir esse feito: depois que a coroa mundial voltou para as mãos dos soviéticos, dois enxadristas de outras nacionalidades, Anand (da Índia) e Topalov (da Bulgária) também galgaram o primeiro posto do xadrez mundial. Embora eu admire a qualidade do jogo de Fischer, minha intenção não é depreciá-lo, mas sim colocá-lo em seu devido lugar, ou seja, abaixo de Kasparov.

Com relação ao rating ELO, mais um dado demonstra a superioridade de Kasparov sobre Fischer: este, quando abandonou o xadrez competitivo, detinha exatos 2.785 pontos de rating, um escore impressionante naquele tempo. Mais uma vez, contudo, Kasparov superou não só Fischer como todos os outros jogadores até hoje em atividade: foi o primeiro a ultrapassar a barreira dos 2.800 pontos ELO, chegando em duas ocasiões a atingir a marca de 2.849 pontos, um recorde jamais igualado por ninguém!

Como se tudo isso não bastasse, temos ainda um importante detalhe que deve ser levado em consideração: Kasparov atuou num período em que o xadrez, em razão de sua constante evolução, encontrava-se em um estágio mais competitivo - e, portanto, mais difícil - do que na época em que Fischer jogou, graças ao maior número de competidores de alto nível técnico.

Concluindo, quero dizer que, por todos os argumentos aqui expostos, acredito que não restam incertezas a respeito de quem é o melhor jogador de xadrez de todos os tempos. Mesmo assim, caro leitor, se algum desavisado ainda tiver dúvidas e lhe perguntar o nome desse jogador, não hesite em responder, em alto e bom som: Garry Kasparov!
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newba

Knight

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Post Sun Feb 05, 2012 3:00 pm

Re: O Maior Enxadrista do Mundo - Para Tirar Qualquer Dúvida

Acredito que sempre o objetivo é maior que a etnia e a idade. Se você se deixar levar por argumentos comparativos de uma natureza imutável, não vai ver a real essência da comparação.
A palavra pode ser qualquer uma, menos melhor.
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